Cœur franc
Mulher,
me ensinaste,
o mar não é teu espelho,
mas, sim, as baleias,
que nele imergem especulares
– imagem espetacular de tua alma.
Mulher,
o mar não guar teus segredos,
mas, sim, o franco coração
de uma baleia.
A viagem,
o retiro,
as mornas águas litorâneas,
as frias águas oceânicas
não são senão
o leito,
no qual te deitas,
o manto,
com o qual te cobres
o véu,
com o qual recobres
tua beleza existencial.
Teus giros:
tua graça em uma existência densa.
Teu canto:
um pranto poético,
que não apaga a dor
da sina,
do peso,
da caça,
do ódio.
O mar e tu –
um amor inegável,
inegociável,
que só ouso admirar
de meu profundo abismo.
Às baleias não amas
– as és.
As olhas
refletida
em suas dobras,
suas curvas
suas ondas.
Convertes-te
sem tas tornares,
devéns
sem as seres,
afetates
sem te desfazeres,
sem te perderes
por completo
no movimento inominável
entre as carnificinas e a morte.
Elas, tu – vida nua
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