terça-feira, 1 de maio de 2012

Sobre os muros:


Danças & impuros

Imperfeitas dissimetrias
De luzes, sombras & linhas.
Feito estrias
Riscam-lhe as espinhas,
Cortam-lhe as pernas,
Feito arte moderna...
Feito desastre moderno,
Feito bolha de sabão,
Sem perceber o inverno
Mantém-se um eterno verão,
Pois ninguém verá
Dançarmos no Sabbath.
"...être bleu..."

Nada muito novo para quem vive no escuro:



Os muros

Os muros...
Tão mais duros
Quanto mais insensíveis
Tão mais intransponíveis
Quanto mais invisíveis
Tão mais sem furos
Seriam esses muros?




Entre paredes & parenteses:


Lamentos
ou Dois cantos

Canto I

Ai de mim, ai de mim!
O que pensei me liberar
Agora me faz presa.
& preso a essa terra
Imensa é a pobreza
De perpetuar essa guerra,
Imensa é a proeza
De sobreviver assim.
Ai de mim, ai de mim!
Ai triste sem fim,
Ai de mim!

Canto II

Por que insisto?
Por que não digo
Até logo mais?
Que armadilha criei a mim
Ai de mim, ai de mim!
Meu belo encanto
Encurralou-me num canto
Donde não saio mais
Ai de mim, ai de mim!
Por que insisto em viver assim?