terça-feira, 13 de outubro de 2026
Poesia marinha (2)
versos repentinos/repetidos
os versos
esses que te dou
são mar
que espelha
o inferno povoado de lágrimas
em que nado
– narciso? –
para não me afogar
no sonho e no tédio
Variações de um mesmo roubo
Eu te dou esses versos
I
o mar
espelho do tempo
devora esses versos
II
o tempo
inferno povoado de amigos
III
o mar devora a vida
e no tempo
– teu espelho –
contemplas tua dor
IV
oh dor
oh dor
o tempo devora o amor
esse inimigo que se alimenta do sangue
e do ardor
que aquece o coração
V
oh dor
oh dor
o tempo devora o amor
e esse torpor
que aumenta
tanto mais de minha alma se alimenta
Nós
às vezes e algum dia
Às vezes só queria poder te dizer
às vezes só queria poder sentir
às vezes só queria poder
sem temer que ultrapasso uma linha
mas tudo isso
eu sei
é um desejo infantil
Na vida adulta
poder
e querer não costumam andar de mãos dados
Quem sabe
algum dia
uma hora dessas
te digo o que sinto
me dizes o que sentes
e seguimos como pudermos
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