sexta-feira, 5 de junho de 2026

por um...

fio da palavra


agarro-me às palavras
que escrevo
como 
se fossem meu último bastião
não, o último tendão
ou a última urdidura
entre ser e não mais estar
entre o aqui e o nunca
entre a realidade e o vazio

minha mão se estende sobre o papel
- adão sem deus, perdido entre os céus da transcendência e as brumas da essência –
a caneta mal toca a folha
mas delinea algumas palavras
essas e outras
na esperança de manter-me fixo a algo
as palavras:
uma corda
uma raiz
um galho
um laço
uma rocha firme
um punhado de areia
a borda de algo
a margem de mim mesmo
uma mão amiga
um desespero

solto a caneta
a palavra
a realidade
solto

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